Como é que o gregos, sabendo que não se entra duas vezes no mesmo rio, poderiam acreditar em retornos? Odisseu não retorna para ficar, e sim para partir novamente. A Odisseia é a história de um movimento ao mesmo tempo em direção a uma meta e sem meta nenhuma, bem-sucedido e em vão.
(Excerto de O Leitor, Bernhard Schlink)
Por fora, sou contida. Por dentro, continente. Alessandra Siedschlag
(Fuente: ehreditario)
5 a Seco - Gargalhadas
Ivete Sangado & Marcelo Camelo - Teus Olhos
Oh! a esperança é pois como uma parasita que morde e despedaça o tronco, mas quando ele cai, quando morre e apodrece, ainda o aperta em seus convulsos braços!
(Bertram; Noite na Taverna)
— Morrer! e pensas no morrer! Insensata! Descer do leito morno do amor à pedra fria dos mortos! Nem sabes o que dizes. Sabes o que é essa palavra —morrer? É a duvida que afana a existência, é a duvida, o pressentimento que resfria a fronte do suicida, que lhe passa nos cabelos como um vento de inverno, e nos empalidece a cabeça como Hamlet! Morrer! é a cessação de todos os sonhos, de todas as palpitações do peito, de todas as esperanças! É estar peito a peito com nossos antigos amores e não senti-los! Doida! é um noivado medonho o do verme, um lençol bem negro o da mortalha! Não fales nisso: por que lembrar o coveiro junto ao leito da vida? Põe a mão no teu coração… bate… e bate com força, como o feto nas entranhas de sua mãe. Há aí dentro muita vida ainda, muito amor por amar, muito fogo por viver!
(Claudius Hermann; Noite na Taverna)
“Por quê? É que meu coração, em meio às delicias
De uma lembrança ciumenta constantemente oprimido
Indiferente à felicidade presente, vai procurar tormentos
no futuro e no passado”
(Alex Dumas)
Só a leve esperança em toda a vida
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidadeque supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos
(Vicente de Carvalho)
Lembro-me que desviei o rosto e baixei os olhos ao chão. Recomendo este gesto às pessos que não tiverem uma palavra pronta para responder, ou ainda às que recearem encarar a pupila de outros olhos. Em tais casos, alguns preferem recitar uma oitava dos Lusíadas, outros adotam o recurso de assobiar a Norma; eu atenho-me ao gesto indicado; é mais simples, exige menos esforço.
(Brás Cubas)